Existe uma linha tênue entre ser criativo e ser confuso. É aí que entra a Lei de Jakob, um dos princípios mais valiosos da experiência do usuário e da boa comunicação visual.
O que é a Lei de Jakob?
A Lei de Jakob, formulada por Jakob Nielsen, especialista em usabilidade, afirma:
“Os usuários gastam a maior parte do tempo em outros sites. Isso significa que os usuários preferem que o seu site funcione da mesma forma que todos os outros sites que eles já conhecem.”
Traduzindo para o universo do design gráfico: as pessoas confiam em padrões. Nosso cérebro é um verdadeiro devorador de padrões, é assim que aprendemos, navegamos no mundo e economizamos energia cognitiva. Um bom designer entende isso. Um designer genial respeita isso.
Por que os botões de “compra” geralmente são verdes ou laranja? Por que o menu está quase sempre no topo da página ou no canto superior direito? Por que o logo geralmente aparece no canto esquerdo?
Não é preguiça. É neurociência.
Padrões visuais e estruturais funcionam como atalhos mentais. Eles reduzem o esforço do usuário. Quando algo está onde esperamos que esteja, não precisamos pensar, apenas agir. Esse conforto gera fluidez, confiança e, no fim, conversão.
Ser criativo não significa ser caótico. Significa surpreender dentro dos limites do que é familiar. Designers experientes sabem como brincar com a forma, a cor e a tipografia sem quebrar as expectativas essenciais do público.
Um layout diferente? Sim. Um botão de “enviar” no rodapé esquerdo, escondido atrás de uma ilustração experimental? Talvez não.
A Lei de Jakob nos ensina que o design não é para o designer, é para o usuário.
Um design inteligente se apoia em padrões, mas não é refém deles. Ele sabe quando seguir e quando quebrar as regras, mas só depois que o usuário já se sente confortável.
Usar padrões conhecidos não é copiar. É criar um terreno seguro para que a mensagem, o conteúdo ou a marca brilhem. Em vez de forçar o público a decifrar como algo funciona, você permite que ele se concentre no que realmente importa.
Na próxima vez que você estiver diante de um layout em branco e sentir vontade de reinventar o mundo, lembre-se: não é sobre ser diferente a qualquer custo, é sobre ser funcional, legível e intuitivo.
A Lei de Jakob é um lembrete de que o cérebro humano valoriza o reconhecimento mais do que a novidade. E que, no fim das contas, o melhor design é aquele que funciona sem esforço.
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