A$AP Rocky, um print no Instagram e a regra que todo designer deveria conhecer

Imagine receber uma mensagem de A$AP Rocky interessado em contratar você para um projeto de identidade visual. Para qualquer designer, seria motivo de comemoração.

Foi o que aconteceu com o designer americano Allan Peters. Rocky entrou em contato por mensagem privada, elogiou seu trabalho e perguntou quanto cobraria para revisar um logo. Empolgado, Peters publicou um print da conversa nas redes sociais.

O problema? Rocky não havia autorizado a publicação.

Pouco depois, o artista demonstrou publicamente sua insatisfação e desistiu de trabalhar com o designer. Peters apagou a publicação e pediu desculpas, explicando que agiu por empolgação e acreditou que Rocky entenderia o post como um elogio.

A internet, como era de esperar, se dividiu.

Comemorar não é o problema. Expor é.

É perfeitamente compreensível que Peters tenha ficado feliz. Afinal, ser procurado por um artista daquele tamanho é uma validação importante para qualquer profissional.

Mas existe uma diferença entre dizer:

“Recebi hoje uma mensagem incrível de um artista que admiro.”

e publicar a própria conversa privada.

Aqui está o ponto mais delicado: não havia nem sequer um projeto fechado. Era uma conversa inicial sobre uma possível contratação.

Publicar aquele print foi, portanto, transformar uma oportunidade profissional em conteúdo antes que o próprio cliente decidisse se queria tornar aquela relação pública.

Para um designer, especialmente em projetos de branding, confiança é tão importante quanto talento.

O episódio também expõe um problema cada vez mais comum. Hoje, designers precisam produzir conteúdo constantemente. Bastidores, clientes, projetos e conquistas ajudam a construir autoridade e atrair novos trabalhos.

Seu público pode querer saber quem são seus clientes. Seu cliente pode preferir que ninguém saiba.

Antes de publicar uma conversa, uma reunião, um briefing ou qualquer informação relacionada a um cliente, a pergunta deveria ser simples:

“Eu tenho autorização para tornar isso público?”

Se a resposta não for um “sim” claro, não publique.

No fim, quem estava errado?

Peters estava certo em comemorar. Estava errado em expor a conversa.

Rocky pode ter sido duro em sua reação, mas tinha todo o direito de decidir com quem queria trabalhar.

E existe uma ironia interessante nisso tudo: Peters trabalha justamente com branding, uma área baseada em percepção, consistência e confiança.

Seu portfólio pode mostrar o quanto você é talentoso, mas sua postura profissional também comunica uma marca.

Nas redes sociais, onde existe uma pressão enorme para mostrar cada conquista, talvez uma das formas mais sofisticadas de profissionalismo seja simplesmente saber guardar uma boa notícia para si.

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